Educação Farmacêutica: Generalistas ou Geralistas?

Texto escrito por Lucas Rodrigues da UFPR para contribuir na discussão de Educação Farmacêutica do ENEF de São Luís – MA

A educação farmacêutica passou por várias reformas e modelos de currículos, todos eles sendo fortemente influenciados por determinantes econômicos e de mercado. “Nos últimos 40 anos o farmacêutico se afasta da sociedade, escondendo-se em laboratórios. Mas continua como responsável técnico da farmácia, porém com pouca atuação, apenas “empresta” o seu nome, não aparecendo na farmácia, causando descrédito da profissão com a sociedade e fomentando conflitos entre profissionais e patrões.” 1

Entretanto as mobilizações sociais da década de 80 e o movimento de reforma sanitária introduzem uma nova perspectiva: educação para emancipação, para atender as demandas da população, para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS).

O movimento estudantil de farmácia (MEF) através de sua executiva nacional (ENEFAR), juntamente da Federação Nacional dos Farmacêuticos (FENAFAR) construiu uma proposta de perfil farmacêutico. Em alguns momentos o Conselho Federal de Farmácia (CFF) esteve junto, em outros (maioria) ignorou os anseios dos estudantes.

O contexto no qual surgem as Diretrizes Curriculares para os Cursos de Farmácia (RESOLUÇÃO CNE/CES Nº2, 2002, Art. 2º) é um tanto quanto conturbado. 2

Dando um pulo histórico, chegamos a 2007: várias escolas com o tal currículo “generalista” ou em vias de implantá-lo. Mas o que vem a ser isso? Como dito anteriormente, estivemos longe da sociedade e da atenção primária à saúde, queríamos ser bioquímicos, da indústria, menos farmacêuticos. A idéia do Generalista é justamente estabelecer o elo com a população, com a atenção primária, e a luta pela consolidação do SUS.

Contudo o que vemos são cursos em que os assuntos continuam a ser dicotomizados, em que a saúde pública permanece marginalizada, com poucas perspectivas em relação às equipes multiprofissionais e ainda com cargas horárias entupidas de assuntos. Os currículos mais parecem “geralistas” (nos ensinam um pouco de tudo e aprendemos um pouco de nada), o que tem levado a uma maior precarização do processo de aprendizagem, um esvaziamento da produção científica e dos projetos de extensão.

O desafio é: construir um debate sincero e sem preconceitos que possibilite a formulação e solidificação de um perfil que tenha como prioridade a consolidação do SUS (seja na epidemiologia, nas análises, na formulação e estudo de novas moléculas ou na atenção primária). Perfil que considere as especificidades de cada região, o contexto cultural em que o futuro trabalhador será inserido e que supere as metodologias da transmissão e do condicionamento.

1 e 2 CAMPESE.M; “PROPOSTA PARA ENSINO DA ATENÇÃO BÁSICA NA FARMÁCIA”. Curitiba, 2006. Disponível em: http://www.enefar.org.br/arquivos/?arqId=15

Obs: encaramos como prioridade a luta por um SUS de qualidade, por entender que é um sistema que trouxe avanços gigantescos, tornou de fato grande parte da população “cidadãos” com DIREITOS, e que é o Único Sistema de Saúde que garante a Integralidade e os procedimentos de alta complexidade.

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