Pronunciamento do Coordenador de Educação da ENEFAR na VII Conferência Nacional de Educação Farmacêutica do CFF

Antes de adentrar no assunto em questão, gostaria de parabenizar a todos vocês que aqui se encontram debatendo uma melhor forma de ensino e um melhor eixo pra educação em farmácia em nosso país, é digno de nota a vontade de vocês de buscarem juntos, as repostas que todos procuram.

Bom, inicialmente gostaria de me apresentar mais uma vez. Meu nome é Dalmare sou estudante do nono período da Federal de Sergipe, participo do Movimento Estudantil de Farmácia desde o 2° período do curso, como Coordenador Geral do Centro Acadêmico de Farmácia por dois anos e atualmente sou Diretor de Políticas e Relações Estudantis, não perdi meu vinculo pois acredito que o meu CA de origem é minha base sempre dentro do MEF. Sou também Coordenador de Educação da Executiva Nacional de Estudantes de Farmácia desde outubro de 2010, no entanto, nunca reprovei em nenhuma matéria e nunca deixei de lado outras atividades do curso, como a pesquisa, colegiado de curso, departamento, enfim, tudo que tinha pra aproveitar na universidade. Hoje estou vestido de estudante para lhes falar a realidade dos estudantes. Entrei na universidade como muitos estudantes, com 17 anos sem muita perspectiva do que veria pela frente, escolhi farmácia num arrisque, não imaginava o incrível universo que essa profissão me proporcionaria. Hoje sou apaixonado pela opção que fiz, posso dizer com clareza que me realizo com a idéia de virar farmacêutico, mas a realização pessoal trouxe consigo a responsabilidade de atuar nas mais diversas frentes pela profissão, defender com unhas e dentes o que quero pra ela, pois acredito na nossa profissão como modificadora da nossa sociedade nos mais diversos âmbitos.

Ontem me fiz o questionamento: “Os professores não sabem o quanto os alunos questionam a educação farmacêutica? o quanto eles se importam com isso?”. Estou no Movimento Estudantil de Farmácia a 4 anos, estive em meu primeiro ENEF em 2008, em GO, e naquele momento só ouvia falar dos desafios do novo currículo em qualquer roda de estudantes, naquele momento eu era cru, mas já percebia que não existe assunto que mais una um grupo de estudantes de farmácia do que seu modelo de ensino. Tanto que este ano em fortaleza o tema do ENEF será “Farmacêutico: A que se destina? os desafios da implementação de um novo currículo”.

Então, logo no começo de minha militância por notar tamanho interesse de todos comecei a estudar com afinco a educação em farmácia, fiz um resgate histórico de documentos, me aprofundei e quando fomos compor uma chapa eleger a Coordenação Nacional pedi para ser o Coordenador de Educação, porque eu realmente me interesso muito pela área, acho que é o ponto de pesquisa que mais vai ajudar a farmácia a se aperfeiçoar no futuro em nosso país. Este meu pronunciamento vem para que vocês possam fazer reflexões e questionarem em seus cursos pontos que listarei a seguir, quero antes de tudo advertir que os questionamentos aqui citados não se aplicam a muitos de vocês, mas muito mais a colegas que não dão importância a debates sobre educação:

-Quem é o aluno que ingressa em farmácia atualmente? Será que ele realmente entende a profissão ou é alguém que como eu escolheu na sorte?

Porque os cursos de pós-graduação não oferecem disciplinas pedagogicas? Perpetuando o erro da formação?

-Qual será o maior desafio da implementação do currículo? o aluno que esta ávido por conhecimento ou o conservadorismo de nossos corpos docentes?

-Por que somos tão resistentes a mudanças? Resistentes ao SUS?

– Qual a dificuldade de tornar o nosso profissional mais humano? Será que não somos humanos ou não temos humanidade suficiente para isso?

-Onde esta o compromisso ético como professores de formar os melhores profissionais possíveis em muitos de vossos colegas?

-Por que as graduações perdem tanto valor com a criação de pós graduações nas universidades?

– Qual a dificuldade de formar um profissional reflexivo de sua realidade e capaz de mudar a mesma? Neste momento gostaria de fazer dois adendos… 1° será que é realmente interessante para os nossos professores formar alunos que questionem, sendo que eles um dia poderão ser questionados pelos mesmos? Será que não vivemos em uma ditadura velada, onde a desinformação e a desmobilização nos é interessante? 2° Vejo claramente que esta etapa da minha formação de profissional critico e reflexivo se deu em sua maioria pela minha participação no MEF, e neste ponto, gostaria de pedir encarecidamente que as entidades de ensino respeitem e incentivem a organização estudantil política dentro de suas universidades. Acreditem não tenho duvida que a minha maior formação na universidade foi o MEF.

Essas são algumas das perguntas que me faço e que escutei como estudante.

Por fim dialogando com o questionamento anterior gostaria de falar, que é hora de despertarmos nossos alunos para a realidade da profissão e a necessidade de luta. Vejo claramente que o esvaziamento do movimento estudantil reflete no esvaziamento de entidades da categoria após a formação, é inadmissível várias comissões de educação ausentes em espaços como esse. Neste momento estou me comprometendo formalmente em nome da ENEFAR a elaborar um projeto de capacitação discente para o Movimento Estudantil de Farmácia em todas os estados que se interessarem a fortalecer a profissão a partir da universidade, enviarei a todos os CRF’s, através de suas comissões de ensino e já pedindo apoio ao CFF e a comissão de ensino do Federal para este contato, para que possamos fortalecer os dois lados desta realidade, espero que seja tão claro pra os senhores quanto é pra mim, que existe um processo cíclico e com necessidade de renovação das entidades, se não formarmos estudantes para ocuparem esses lugares no futuro, estaremos iniciando a discussão do zero dentro de pouco tempo.

Venho de uma gestão da ENEFAR que se chama Integrar, Crescer e Mudar, e a partir deste nome temos um lema: do Oiapoque ao Chuí o MEF se une aqui, sendo assim tenho que ressaltar que temos que nos unir nas lutas iguais e não se separar nas divergências e não vejo sentido em mais de uma entidade de educação existente, devemos sim lutar pela união das mesmas.

Espero muito, que junto de vocês e de toda ENEFAR mudar a cara da Farmácia no país, que já teve um grande avanço nos últimos tempos, mas que precisa de muito mais sangue e suor para avançarmos o tanto que precisa, o tanto que a sociedade precisa. Só pra acabar, eu costumo dizer que a luta na farmácia é tão grande que não basta vestir a camisa tem que tatuar farmácia no coração.

 Dalmare Anderson Bezerra Oliveira Sá            

Coordenador de Educação – ENEFAR – Gestão 2010/2011 Integrar, Crescer e Mudar “Rafael Schuab”

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