Carta aberta axs colaboradorxs do COBEF (Jun 2015)

                                                                                   Brasília, 16 de Junho de 2015

Esta carta se destina a todxs que estão a participar de alguma forma do processo de reestruturação das novas diretrizes curriculares nacionais (DCN) de Farmácia. Por entender que devemos registrar esse momento histórico, viemos por meio desta relatar alguns fatos, elucidando alguns pontos em relação ao I Congresso Brasileiro de Educação Farmacêutica (COBEF).

Nos dias 10, 11 e 12 de junho de 2015, na cidade de Salvador-BA, ocorreu o I COBEF, e junto à programação deste se realizou o Fórum Nacional sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Farmácia. Tal evento tinha por objetivo ampliar as discussões em relação às DCN do nosso curso. A convite da organização do evento, a ENEFAR elaborou um minicurso para a ocasião.

A ENEFAR, por entender a importância do tema Educação Farmacêutica,  vem desenvolvendo um trabalho de discussão a mudança nas DCN há algum tempo, por meio do Grupo de Estudos Temáticos (GET) de Educação  Farmacêutica. O GET foi criado em 2012 a fim de promover a troca de conhecimentos, debates e o entendimento da realidade dos cursos de farmácia. Esta construção é promovida pelxs estudantes que compõem esse grupo e demais estudantes da executiva. É importante levar em conta que a educação farmacêutica já é assunto de discussão da ENEFAR há algumas décadas, assim a executiva desenvolveu maturidade para fomentar os trabalhos relacionados ao tema.

Durante a preparação para o espaço do minicurso, debatemos internamente tanto tópicos relacionados diretamente a este, como a reestruturação da própria DCN. Tendo em vista a importância e o interesse dxs estudantes no assunto, o debate foi levado a instâncias deliberativas, como por exemplo o I Congresso da ENEFAR, que ocorreu no Rio de Janeiro no início do ano. Assim, o espaço foi cuidadosamente construído sob a premissa da responsabilidade tanto de representar a parte mais interessada na reforma do curso, xs estudantes, como também visando o interesse dxs docentes e demais profissionais em agregar conhecimento novo e útil.

Apesar de a priori ter sido dada autonomia para que a ENEFAR construísse o espaço, ao longo do ano, chegaram a nós informações sobre um co-palestrante ou um tutor que participaria na condução do minicurso. Entretanto, as informações que obtivemos são confusas e contraditórias, uma vez que o tema eleito pela ENEFAR foram metodologias ativas, e até o presente momento não houve explicações objetivas para isso. É importante notar que em nenhum momento a ENEFAR foi consultada ou sequer informada diretamente sobre isso. Tais desencontros que surgiram em relação à comunicação entre comissão cientifica do COBEF e xs estudantes que iriam conduzir este minicurso, tornou o que era pra ser um processo de construção coletiva de um tema importante, algo confuso e tensionado pela organização.

Em adição a isso, durante o COBEF nos frustrou a falta de debate em relação às DCN, bem como a forma com que o Fórum se desenvolveu. A proposta desse espaço foi discutir em grupos de trabalho os diferentes aspectos da DCN de farmácia, para posteriormente realizar uma plenária organizando as propostas dos grupos. Contudo, os grupos atrasaram e a plenária planejada, “de socialização”, foi substituída por um espaço de relatoria dos grupos, sendo informado a alguns grupos que a solução seria fazer uma consulta pública, o que deixou os participantes naturalmente indignados. Os facilitadores dos grupos tiveram pouquíssimo tempo para apresentar seus acúmulos, afetando o debate e a troca de idéias.

Paralelamente, os questionamentos sobre a nossa capacidade de conduzir o minicurso continuaram. Isso foi observado mesmo em ocasião do evento, quando houve tentativa de desmantelamento do espaço, que já havia sido preparado por nós após meses de trabalho. Todos esses pontos até aqui elencados culminaram na expressão da insatisfação por nossa parte.

Ao final da relatoria dos grupos, nós manifestamos nosso posicionamento sobre a impossibilidade de debater as DCN no evento. Fizemos isso questionando a finalidade daquele fórum, e reiteramos nossa propriedade de ministrar o minicurso, o que gerou certa instabilidade no espaço. Somente após o manifesto e a natural exposição da situação é que nos foi garantido que o minicurso ocorreria sem intervenções externas, e, portanto, alheias ao debate que nos propusemos a conduzir: Metodologias Ativas na perspectiva dx estudante.

Outro ponto questionado foi o nosso direito à fala no espaço. Por mais que haja consenso sobre a importância da presença de estudantes nesse debate, em nenhuma mesa fomos convidados para participar com antecedência, demonstrando uma lacuna significativa entre discurso e prática. Cabe aqui observar que a presença dos componentes da Executiva nas mesas seria, portanto, meramente simbólica. Além disso, após as mesas não havia momento para discussão ou falas do auditório.

Depois do incidente, a Comissão Científica do COBEF nos convidou a uma reunião para o dia seguinte. Assim, durante a reunião, apresentamos reivindicações pontuais em relação ao I COBEF e sobre a discussão nacional de DCN. O que solicitamos foi:

  • Que após todas as mesas houvesse momento para debate, em que houvesse falas e não apenas perguntas;
  • Que ocorresse o minicurso ministrado apenas pelos estudantes;
  • Que houvesse um segundo momento para que os grupos de trabalho apresentassem seus acúmulos, e que pudéssemos discutir ainda nesse evento sobre propostas de alteração das DCN.

Dessas demandas, apenas a última não foi efetuada, que por questões de tempo, a Comissão Científica concordou em abrir meia hora de plenária durante o horário do almoço para que participantes apresentassem sugestões de como o processo de discussão sobre a DCN continuaria, ainda que nada pudesse ser decidido ali. Isso restringiu a decisão a um grupo de pessoas e gerou um estreitamento do debate.

Em relação às nossas reivindicações a longo prazo, por entendermos a necessidade de se ampliar o debate e para não repetirmos o que aconteceu no COBEF em outro evento nacional, nós propomos, bem como nos prontificamos a colaborar para a realização de um novo evento nacional para discussão, em aproximadamente um ano a partir de agora, e que nesse período de um ano sejam realizados fóruns locais e estaduais para debates das DCN. Por entendermos que a discussão é extensa e complexa, sugerimos que esses fóruns não sejam realizados em apenas em um dia, mas por eixos trabalhados com elaboração de propostas concretas. Sobre esses eventos, nós pleiteamos nossa participação na organização e espaços nas mesas com direito a fala, tanto a nível local, estadual e nacional. Reivindicamos ainda a participação estudantil na organização do próximo evento, além da ocupação das cadeiras de estudantes nas três Comissões da ABEF, a saber, Científica, de Ensino e de Eventos, pois, como mencionado anteriormente, temos acúmulo e estamos dispostos a trabalhar para colaborar com a construção de Diretrizes Curriculares Nacionais condizentes com nossos anseios, enquanto estudantes e profissionais em formação.

A ENEFAR tem participação histórica no debate de Educação Farmacêutica no Brasil, e continua sendo uma de nossas principais pautas. Nós reiteramos nosso desejo e intenção de participar ativamente de toda discussão, bem como já temos feito, contribuindo e apresentando nosso trabalho.

Grupo de Estudos Temáticos – Educação Farmacêutica da ENEFAR

Anúncios

MOÇÃO DE REPÚDIO A EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS HOSPITALARES (EBSERH) – 14º CONEB

MOÇÃO DE REPÚDIO A EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS HOSPITALARES (EBSERH)

A saúde é direito de todos e dever do Estado. Foi através desta premissa e da luta dos trabalhadores, estudantes e usuários que conquistamos o Sistema Único de Saúde. Nós ainda enfrentamos muitas dificuldades de implementação do SUS para que ele cumpra seu papel na transformação social do país, garantindo pleno acesso a um Sistema 100% público e estatal de fato, gratuito, universal e de qualidade.

Nesse contexto, os Hospitais Universitários (HU’s) são ferramentas importantes para a formação dos profissionais que trabalharão no SUS, seus gestores, políticas públicas, além de cumprir fundamental papel na assistência, sendo responsável por 10% dos 12% de todas as internações do SUS. Infelizmente, temos hoje HU’s extremamente precarizados e que nem de longe cria um ambiente propício para a educação em saúde, a partir de seus pilares fundamentais, nem para assistência da população, tornando também o SUS uma realidade não desejável para os futuros profissionais em saúde.

Essa não é a realidade que queremos, tanto para nosso ensino-pesquisa-extensão dentro da universidade, assim como para a rede de saúde que desejamos construir no SUS.

Levando em consideração os princípios do SUS, a Universidade enquanto gestora dos HU’s deveria, a partir de cada realidade local, pensar em soluções para os seus problemas em conjunto com a participação dos atores envolvidos, como preconiza o controle social e é exemplificado pela própria política nacional de humanização do SUS. Nesse sentido entendemos que o subfinanciamento é o motivo central pelo qual os hospitais universitários hoje acumulam uma dívida de 450 milhões de reais, reflexo do baixo investimento do orçamento destinado a saúde. A priorização do pagamento e amortização dos juros da dívida interna que chega a 45% do orçamento nacional em contraposição a somente 3,9% destinados ao SUS é extremamente danoso ao funcionamento do nosso Sistema Único de Saúde.

A EBSERH, sendo uma Empresa – ainda que pública – dita defensora do SUS, tem seus marcos
políticos/regimentais indo no sentido da mercantilização da saúde, consequentemente da vida. A possibilidade de firmar convênios, a prestação de serviços a outros entes hospitalares, o controle do ensino-pesquisa-extensão dentro dos hospitais sem controle social e o ferimento da autonomia universitária são só alguns exemplos da sua falta de compromisso com o projeto de nação que o SUS constrói.

Outro ponto central nessa discussão é a precarização do trabalho nos HU’s. Com a EBSERH, teremos o conflito constante de vínculos de trabalho divergentes num mesmo ambiente (RJU e CLT). A alta rotatividade dos profissionais, ligadas ao vínculo precário da CLT e a não vinculação desses profissionais às universidades e sua construção educacional são também preocupantes nessa Empresa.

Por isso viemos nos posicionar contra a EBSERH. O embate contra a EBSERH já vem sendo construído por estudantes organizados em todo o Brasil há quase dois anos, desde a sua criação. Apesar de já ter sido aprovada em algumas universidades, outras já a rejeitaram e ainda há muitas em que o tema está em discussão, por isso é urgente e importante que a luta contra a EBSERH seja reforçada neste espaço e que a UNE incorpore este posicionamento e avance nesta e em outras discussões com os movimentos sociais. Reiteramos que esse posicionamento deve ser levado a todos os estudantes e ao Conselho Nacional de Saúde para que fortaleçamos ainda mais a batalha por um SUS público, gratuito e de qualidade e por uma universidade autônoma e construtora da soberania nacional.

“O SUS É NOSSO NINGUÉM TIRA DA GENTE, DIREITO GARANTIDO NÃO SE COMPRA NEM SE VENDE”!

Assinado pelos delegados e estudantes reunidos no 14º Conselho de Entidades de Base da UNE (CONEB) e Executivas de estudantes dos cursos de Farmácia (ENEFAR), Medicina (DENEM), Enfermagem (ENEEnf) e Serviço Social (ENESSO).

Pronunciamento do Coordenador de Educação da ENEFAR na VII Conferência Nacional de Educação Farmacêutica do CFF

Antes de adentrar no assunto em questão, gostaria de parabenizar a todos vocês que aqui se encontram debatendo uma melhor forma de ensino e um melhor eixo pra educação em farmácia em nosso país, é digno de nota a vontade de vocês de buscarem juntos, as repostas que todos procuram.

Bom, inicialmente gostaria de me apresentar mais uma vez. Meu nome é Dalmare sou estudante do nono período da Federal de Sergipe, participo do Movimento Estudantil de Farmácia desde o 2° período do curso, como Coordenador Geral do Centro Acadêmico de Farmácia por dois anos e atualmente sou Diretor de Políticas e Relações Estudantis, não perdi meu vinculo pois acredito que o meu CA de origem é minha base sempre dentro do MEF. Sou também Coordenador de Educação da Executiva Nacional de Estudantes de Farmácia desde outubro de 2010, no entanto, nunca reprovei em nenhuma matéria e nunca deixei de lado outras atividades do curso, como a pesquisa, colegiado de curso, departamento, enfim, tudo que tinha pra aproveitar na universidade. Hoje estou vestido de estudante para lhes falar a realidade dos estudantes. Entrei na universidade como muitos estudantes, com 17 anos sem muita perspectiva do que veria pela frente, escolhi farmácia num arrisque, não imaginava o incrível universo que essa profissão me proporcionaria. Hoje sou apaixonado pela opção que fiz, posso dizer com clareza que me realizo com a idéia de virar farmacêutico, mas a realização pessoal trouxe consigo a responsabilidade de atuar nas mais diversas frentes pela profissão, defender com unhas e dentes o que quero pra ela, pois acredito na nossa profissão como modificadora da nossa sociedade nos mais diversos âmbitos.

Ontem me fiz o questionamento: “Os professores não sabem o quanto os alunos questionam a educação farmacêutica? o quanto eles se importam com isso?”. Estou no Movimento Estudantil de Farmácia a 4 anos, estive em meu primeiro ENEF em 2008, em GO, e naquele momento só ouvia falar dos desafios do novo currículo em qualquer roda de estudantes, naquele momento eu era cru, mas já percebia que não existe assunto que mais una um grupo de estudantes de farmácia do que seu modelo de ensino. Tanto que este ano em fortaleza o tema do ENEF será “Farmacêutico: A que se destina? os desafios da implementação de um novo currículo”.

Então, logo no começo de minha militância por notar tamanho interesse de todos comecei a estudar com afinco a educação em farmácia, fiz um resgate histórico de documentos, me aprofundei e quando fomos compor uma chapa eleger a Coordenação Nacional pedi para ser o Coordenador de Educação, porque eu realmente me interesso muito pela área, acho que é o ponto de pesquisa que mais vai ajudar a farmácia a se aperfeiçoar no futuro em nosso país. Este meu pronunciamento vem para que vocês possam fazer reflexões e questionarem em seus cursos pontos que listarei a seguir, quero antes de tudo advertir que os questionamentos aqui citados não se aplicam a muitos de vocês, mas muito mais a colegas que não dão importância a debates sobre educação:

-Quem é o aluno que ingressa em farmácia atualmente? Será que ele realmente entende a profissão ou é alguém que como eu escolheu na sorte?

Porque os cursos de pós-graduação não oferecem disciplinas pedagogicas? Perpetuando o erro da formação?

-Qual será o maior desafio da implementação do currículo? o aluno que esta ávido por conhecimento ou o conservadorismo de nossos corpos docentes?

-Por que somos tão resistentes a mudanças? Resistentes ao SUS?

– Qual a dificuldade de tornar o nosso profissional mais humano? Será que não somos humanos ou não temos humanidade suficiente para isso?

-Onde esta o compromisso ético como professores de formar os melhores profissionais possíveis em muitos de vossos colegas?

-Por que as graduações perdem tanto valor com a criação de pós graduações nas universidades?

– Qual a dificuldade de formar um profissional reflexivo de sua realidade e capaz de mudar a mesma? Neste momento gostaria de fazer dois adendos… 1° será que é realmente interessante para os nossos professores formar alunos que questionem, sendo que eles um dia poderão ser questionados pelos mesmos? Será que não vivemos em uma ditadura velada, onde a desinformação e a desmobilização nos é interessante? 2° Vejo claramente que esta etapa da minha formação de profissional critico e reflexivo se deu em sua maioria pela minha participação no MEF, e neste ponto, gostaria de pedir encarecidamente que as entidades de ensino respeitem e incentivem a organização estudantil política dentro de suas universidades. Acreditem não tenho duvida que a minha maior formação na universidade foi o MEF.

Essas são algumas das perguntas que me faço e que escutei como estudante.

Por fim dialogando com o questionamento anterior gostaria de falar, que é hora de despertarmos nossos alunos para a realidade da profissão e a necessidade de luta. Vejo claramente que o esvaziamento do movimento estudantil reflete no esvaziamento de entidades da categoria após a formação, é inadmissível várias comissões de educação ausentes em espaços como esse. Neste momento estou me comprometendo formalmente em nome da ENEFAR a elaborar um projeto de capacitação discente para o Movimento Estudantil de Farmácia em todas os estados que se interessarem a fortalecer a profissão a partir da universidade, enviarei a todos os CRF’s, através de suas comissões de ensino e já pedindo apoio ao CFF e a comissão de ensino do Federal para este contato, para que possamos fortalecer os dois lados desta realidade, espero que seja tão claro pra os senhores quanto é pra mim, que existe um processo cíclico e com necessidade de renovação das entidades, se não formarmos estudantes para ocuparem esses lugares no futuro, estaremos iniciando a discussão do zero dentro de pouco tempo.

Venho de uma gestão da ENEFAR que se chama Integrar, Crescer e Mudar, e a partir deste nome temos um lema: do Oiapoque ao Chuí o MEF se une aqui, sendo assim tenho que ressaltar que temos que nos unir nas lutas iguais e não se separar nas divergências e não vejo sentido em mais de uma entidade de educação existente, devemos sim lutar pela união das mesmas.

Espero muito, que junto de vocês e de toda ENEFAR mudar a cara da Farmácia no país, que já teve um grande avanço nos últimos tempos, mas que precisa de muito mais sangue e suor para avançarmos o tanto que precisa, o tanto que a sociedade precisa. Só pra acabar, eu costumo dizer que a luta na farmácia é tão grande que não basta vestir a camisa tem que tatuar farmácia no coração.

 Dalmare Anderson Bezerra Oliveira Sá            

Coordenador de Educação – ENEFAR – Gestão 2010/2011 Integrar, Crescer e Mudar “Rafael Schuab”