O USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS E A LUTA POR UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA

Brasil, 5 de Maio de 2012

Vivemos em uma sociedade doente. Uma sociedade onde ter é melhor do que ser, onde o eu é maior que o nós, onde as relações humanas são limitadas a interesses comerciais, onde o desenvolvimento é guiado pelo lucro, onde poucos têm muito e muitos têm quase nada.

A saúde, que deve ser entendida como produto direto dessas relações sociais e produtivas que caracterizam nossa sociedade, não foge e nem deveria fugir a essas regras. Dentro do capitalismo, saúde é um mercado lucrativo, nos somos consumidores desse produto extremamente desejado e por isso, reproduzimos a crença de que saúde é consequência apenas de processos fisiológicos e que é um bem de consumo que pode ser comprado através de exames, consultas, procedimentos, estilo de vida, e obviamente, medicamentos.  Esse consumismo, essa sede por novas tecnologias, por produtos mais modernos tem suas consequências. Essa cultura, faz de fato bem a saúde?

Para a saúde da população, obviamente não. O acesso a medicamentos no mundo continua reduzido e desigual, milhões de pessoas morrem de doenças para as quais já existem tratamentos a décadas enquanto outros tantos são medicados sem a real necessidade para tal,  os gastos governamentais e individuais com medicamentos não param de subir, e muitas vezes sem avanços reais na qualidade de vida da população.

Mas, para a saúde do capital, certamente sim. Os medicamentos cumprem exatamente o papel que um bom produto deve cumprir. A indústria farmacêutica, que supera a indústria bélica e só perde para a indústria petrolífera em lucratividade, mantém sua marcante capacidade de “inovar” e “empreender” – não se busca mais medicamentos para doenças, mas sim o contrário; os gastos com marketing superam de longe os gastos com pesquisas; pouquíssimos medicamentos lançados no mercado representam avanços terapêuticos, mas sim avanços nos lucros; não há interesse em se desenvolver tratamentos para doenças negligenciadas, já que pobre não pode pagar; pesquisas clínicas são manipuladas e adulteradas para garantir o próximo milagre na forma de comprimido.

O mesmo vale para as farmácias comerciais. Com lucros cada vez maiores, inclusive subsidiados de forma vergonhosa pelo próprio Estado, o numero de farmácias em nosso país supera de longe as recomendações internacionais. Além disso, se encontram totalmente dissociadas da atenção básica, do SUS, e dos princípios da universalidade, integralidade e gratuidade. Em tempos em que abominamos corretamente a venda de medicamentos em supermercados, mal percebemos que as farmácias são o próprio supermercado.

É possível então se falar em Uso Racional de Medicamentos?  

A resposta é sim e não. NÃO se considerarmos que essa questão se restringe a ética dos profissionais prescritores e dispensadores, ou a ma formação que esses recebem. Que se restringe ao acesso a medicamentos e informações por parte do paciente. Que se restringe a questões regulatórias do Estado, ou a estratégias gerenciais adotadas. Isso tudo é de fato importante, mas não atacam a essência já exposta de todo o problema. Poderemos SIM falar em uso racional de medicamentos quando começarmos a repensar o modelo de farmácia que temos, a produção e desenvolvimento de medicamentos que temos, quando pararmos de tentar conciliar o inconciliável, de conciliar o interesse publico com o interesse privado. Poderemos falar em URM quando não mais despolitizarmos o tema, quando assumirmos que essa é mais uma consequência da sociedade doente que entende a saúde como mercadoria, que medicaliza a vida.  O medicamento não é apenas um objeto de consumo e uma forma de lucro, mas sim um instrumento de saúde e consequentemente um direito social necessário para a dignidade da vida humana.

Por isso, nesse dia 5 de Maio, que historicamente representa o dia nacional de luta dos estudantes de Farmácia, a ENEFAR convoca todos a pensarem sobre o uso irracional de medicamentos de uma maneira mais ampla, como um produto de uma sociedade injusta e desigual, e principalmente convoca todos a enfrentarem conosco as reais causas disso tudo.

Coordenação Nacional da ENEFAR

5 maio 2012 at 8:40 pm Deixe um comentário

Convocatória do XXXV ENEF

Faça o Download da Convocatória AQUI 

Belém, 03 de maio de 2012.

Aos Estudantes de Farmácia,

A Coordenação Nacional da Executiva Nacional dos Estudantes de Farmácia – ENEFAR vem convocar os estudantes para participar do XXXV ENCONTRO NACIONAL DOS ESTUDANTES DE FARMÁCIA (ENEF). O evento acontecerá no período de 22 a 28 de julho de 2012 no Campus Guamá da Universidade Federal do Pará – UFPA, na cidade de Belém – PA (Rua Augusto Corrêa, 01 – Guamá. CEP 66075-110).

O ENEF é um encontro de caráter político, científico e cultural e também a maior instância deliberativa do Movimento Estudantil de Farmácia. O tema da 35ª edição será “Repensando o Movimento Estudantil para transformar a Farmácia, a Saúde e o Brasil”.

O XXXV ENEF também trará em sua programação o XIX CCBEF (Congresso Científico Brasileiro de Estudantes de Farmácia), além de oficinas, Espaços Transversais, Grupos de Trabalho Temático, Grupos de Discussão e o LXXXIII CoNEEF (Conselho Nacional de Entidades Estudantil de Farmácia).

Certos de sua participação, contamos com o apoio e colaboração na construção de mais este encontro.

Sem mais para o momento,

 

João Victor da Silva e Silva

Coordenador Administrativo – ENEFAR

Gestão 2011-2012: “Unir para Consolidar”

victornewtron@hotmail.com

(91) 8197-9995 (TIM)

3 maio 2012 at 11:58 pm Deixe um comentário

Estudantes de Farmácia Realizam Ato contra a EBSERH em Belo Horizonte/MG

Cerca de 40 estudantes, representando 18 escolas de Farmácia do Brasil dizem não à EBSERH no HC-UFMG.

No dia 7 de abril de 2012, cerca de 40 estudantes de Farmácia de todo o Brasil promoveram um ato contra a implementação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) no Hospital das Clínicas (HC) da UFMG.

A EBSERH é uma empresa pública de direito privado criada em dezembro de 2011 pelo governo federal, que pretende administrar todos os hospitais universitários (HUs) pertencentes às instituições federais de ensino e supostamente resolver os problemas crônicos que acontecem desde o governo FHC. A empresa abre os HUs ao capital privado, terceiriza a administração de uma parte da universidade, implementa metas produtivistas de desempenho e precariza as relações de trabalho. Como consequências,  o ensino e formação de profissionais da saúde ficaria em segundo plano, as pesquisas realizadas teriam sua independências prejudicada, a rotatividade no quadro de profissionais aumentaria muito,  a autonomia universitária seria quebrada, interesses privados ditariam os rumos dos HUs, e a população usuária seria afetada. Para saber mais sobre a EBSERH, clique aqui e aqui.

O conselho universitário e a reitoria UFMG já manifestaram interesse na contratação da EBSERH, mesmo em profundo desacordo com estudantes e servidores técnico-administrativos. Essa divergência inclusive já levou à ocupação de uma reunião do conselho pelos estudantes, no dia 14 de março.

Durante o ato os estudantes de farmácia afixaram cartazes na entrada principal do hospital, dialogaram com a população  e profissionais alertando para os riscos da contratação da Empresa e realizaram intervenções com os motoristas que passavam em frente aos hospitais.

O ato fez parte da programação do LXXXII Conselho Nacional de Entidades Estudantis de Farmácia, encontro realizado trimestralmente que reúne diretórios e centros acadêmicos (DAs e CAs) de todo o país. Durante o evento estiveram presentes a representação estudantil de mais de 18 cursos de Farmácia, contemplando todas as regiões do Brasil.

Avaliação do ato

A ENEFAR é contrária a implementação da EBSERH nos HUs, e junto com outras executivas de curso lidera a Campanha Nacional Em Defesa dos HUs. Confira o blog da campanha, assine o manifesto e o abaixo-assinado nacional contra a EBSERH.

Por isso, convocamos todos os estudantes de Farmácia  do Brasil  a se organizarem em suas universidades contra esse ataque aos princípios da universidade pública e do SUS.  Não podemos aceitar de braços cruzados que tomem os HUs de quem de fato eles pertencem: aos estudantes, às universidades, ao SUS e principalmente ao povo brasileiro! Junte-se a nós nessa luta!

26 abril 2012 at 11:44 am Deixe um comentário

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